Ressurreição
Acordei-me, naquela mesma cama eu sentia muita dor nas costas e nas pernas... Percebi que as pessoas ao verem que me acordei, correram para me ver. Saionara deu um beijo na minha testa. Rodrigo disse:
-Existem heróis que ao se machucarem desistem, existem heróis que mesmo machucados vão para guerra em busca de justiça. Você é o que vai para guerra...
Ele apertou minha mão e saiu.
Eu gritei:
-Espere, tenho algo para vocês. Eu já tinha planejando sair desse quarto. Escondido peguei isto.
-Nossa! Será que isto pode ser a cura? Lobo exclamou.
-Não sei mas... não podemos tentar neles. E se isso não for à cura. Falei.
-Então vamos tentar em Fabinho, pois ele é o mais grave. Ou vive agora, ou então amanha morre. Rodrigo falou.
Mas de qualquer forma tínhamos pouco...
E acho que só daria para dois, abrimos a boca de Fabinho e derramamos o liquido. Fabinho instantaneamente acordou. Assustei-me... Pois nunca tinha visto alguém ressuscitar. Fabinho abriu os olhos com muita dificuldade... Ao abrir e ver todos disse uma frase:
-CADÊ MEU VIOLÃO? BOOOOOORA.
Assustados comentamos o que estava acontecendo. Fabinho sem acreditar que havia ressuscitado falou:
-“Bicho” vê só... Eu me lembro de está tocando violão quando, uma menina em cima de uma gárgula, atirou na minha perna. Tentei correr, mas, a gárgula era muito rápida e me mordeu. A mordida foi tão forte que ao cair no chão... Eu estava deitado em nuvens e um homem começou a me julgar, e dizia “Toda alma confessará que eu existo...” ou algo do tipo.
Pensativo fiquei. Um homem julgando... Será que isso era um sonho? Claro que não... isso é bíblico.
Conseguimos livrar Fabinho do Juízo final. Será que algo de errado fizemos? Acho o certo era ele sobreviver e terem mais pessoas em Olinda ou quem sabe no Universo.
-Rodrigo e Lobo o primeiro gole foi bebido. E só falta mais um! Para quem iremos dar? perguntei.
-Eles são nossos amigos... Não é uma tarefa fácil escolher. Lobo exclama.
-Eu acho que só a uma única escolha. Daremos um pouco a cada um... Fabinho falou.
-Realmente é a nossa única escolha. Rodrigo disse.
Lobo pegou o frasco e deu um gole a cada um... Ninguém se acordou.
Com a cabeça baixa fiquei. E agora não temos mais nada a fazer, todos saíram do quarto para comer... Peguei o frasco e vi que ainda havia algumas gotas, ou seja, veremos como fazer isto e faremos muitos litros para curar os habitantes de Olinda. Saí do quarto e olhei para a cozinha do hotel... O jantar estava servido, e estavam todos comendo. Sentei-me na mesa e pensei... Como iria descobrir um modo de ver as substâncias. Fabinho estava faminto, também depois de tantos dias sem comer... A lua cheia acendia um cenário vago que não tinha fim, pessoas mortas, sangue, carros quebrados, casas destruídas... Mas o importante é que tenho fé, e uma nova geração virá, e todo voltará ao normal. Pensando no que havia acontecido, não dormi. Percebi certa movimentação vinda do quarto das meninas. Peguei minha faca e andando furtivamente prossegui, ao chegar ao quarto delas... Saionara não estava.
Olhei para a janela e estava ela correndo. Ao tentar segui-la derrubei um diário, coloquei-o no meu bolso e fui até a recepção... Vi uma bicicleta deitada, não havia outra escolha. Peguei e comecei a pedalar. Ao virar numa esquina estava ela invocando uma gárgula. Ao mesmo tempo em que ela subiu na gárgula desci da bicicleta, ouvi um uma espécie de “piado”. Quando olhei, havia um pássaro que não consigo imaginar a raça... Apenas ao olhá-lo lembrei de “BICUÇO”. Ele estava preso e não comia nada há semanas. Não me importei com Saionara... Apenas com o pássaro. Subi novamente na bicicleta e fui buscar algo para o animal comer. Trouxe um pouco de verduras, e resto de jantar. Ele comeu tão rápido que nem percebi, fui buscar mais. Ao pegar a segunda vez, ele não comeu tudo... Percebi que ele já estava satisfeito. Voltei para o quarto e comecei a ler o diário...

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